
Uma viagem despretensiosa pela minha intimidade. Registros esporádicos de quando a vontade de escrever me arrebata. Espaço para compartilhar o meu olhar com os que visitam este lugar.
quarta-feira, dezembro 22, 2010
Virando a página...

sexta-feira, setembro 17, 2010
Quando despedaço...
sábado, setembro 04, 2010

"Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido."
Não posso recomeçar, a partir do zero. Posso começar de novo, como já me disseram duas pessoas queridas. Trago as dores, as lições, as vivências que tive, os sentimentos que tenho e um esforço de guardar, somente no coração, a pessoa com quem gostaria de compartilhar todos os meus dias. Como a vida deve ser um exercício de desapego, a gente vai se despedindo todo dia: de um projeto, de um desejo, de um futuro, de um passado... Preciso aceitar isso... sempre!
domingo, agosto 29, 2010
"Você entrou no trem/E eu na estação/Vendo um céu fugir/Também não dava mais/Para tentar/Lhe convencer/A não partir..."
Trago no olhos a tristeza de ver um mundo opaco. Sem cor. Em sépia. Sem poesia, sem beleza. Miro as alegrias que não voltam, os dias findos. Não vejo horizontes, não quero vê-los. O luto marejou meus olhos, secou minha boca e minha alegria. Não escuto mais, os sons parecem distantes como se eu estivesse envolta em pedra. Não falo, apenas grito por dentro. O som inaudível do desespero.
sexta-feira, agosto 27, 2010
Estado de espírito

“Que sempre fui triste. Que vejo essa tristeza nas minhas fotografias da infância. Que hoje essa tristeza, sentindo-a como a mesma que sempre senti, quase pode ter o meu nome, tanto ela se parece comigo. Digo que hoje essa tristeza é um bem-estar, o bem-estar de ter afinal caído na infelicidade que minha mãe anuncia há tanto tempo, quando ela uiva no deserto de sua vida.” Marguerite Duras
quinta-feira, agosto 26, 2010
Desejos
sábado, agosto 14, 2010
A dama (o filho da dama) e o vagabundo

sexta-feira, agosto 13, 2010
Silêncio

Ele chegou subitamente. Toc toc na janela. Ela entreabriu e reconheceu a fisionomia. Fechou-a levemente. Escorou-se na parede e pensou se deveria ou não abrir. Decidiu sair correndo pelos fundos da casa. Ele esperou... Quando ela voltou, ele ainda estava lá... Ela resolveu abrir a janela. Conversaram na sacada, sentados, como crianças, observando o movimento da rua... Fizeram juras de amor eterno, tocaram-se em mãos entrelaçadas que, a muito custo, desvencilhavam-se às vezes... Ela sussurava, ele fazia mímicas e truques de mágica...
No outro dia, ele demorou a chegar, mas veio... Ela abriu a porta, convidando-o a entrar. Ele titubeou... Tocaram as mãos um do outro, beijaram-se, mergulharam em si mesmos, como se aquela fosse a última noite da existência...
Abruptamente, ele foi embora. Voltou muito tempo depois, transtornado. Ela abriu a porta, cheia de saudade. Ele não quis entrar. Ela insistiu. Começou a chover. A chuva aumentou. Ele não entrou... Preferiu ir embora de vez, junto com a chuva. Para ele, a chuva era previsível, como ela nunca seria... Ela continuou na janela, esperando que ele voltasse, lembrando daquilo que ele dizia, do seu semblante, do seu sorriso, de suas mãos e de suas mágicas. Um dia, ela fechou a janela, depois a porta e abandonou a casa. Procura ainda hoje por ele, seja onde chove ou onde faz sol...
sábado, agosto 07, 2010
Claro-escuro

Posso dizer que, na época, não entendi muito bem o enredo e hoje, as lembranças são distantes e fragmentadas. O que me chamou atenção, deixando-me angustiada foi o desconforto daquela solidão. Em muitos momentos da minha vida, senti solidão e isso sempre me incomodou. E assustou também.
Em poucos momentos, experimentei uma solidão voluntária e prazerosa. Algumas vezes, fiquei só pra poder sofrer, outras pra lembrar, outras pra chorar, outras pra observar o mundo, outras pra estudar (algo que gosto de fazer sozinha), outras pra arrumar a casa, ouvir música. Mas, particulamente desagradável pra mim era comer sem companhia, seja em casa ou na rua, ir ao cinema, ao shopping... Hoje faço isso com menor reserva...
Tenho tentado "curtir" a solidão e enxergá-la de outra forma. Como algo necessário, às vezes inexorável, passageiro ou aparente. Quero aprender a conversar comigo mesma, dar mergulhos introspectivos e resignar-me ao que não pode ser mudado. Empreitada pretensiosa? Talvez...
sábado, julho 31, 2010
A mesa e a estrada

Fiz um rallyzinho dos sertões também: fomos eu e outro professor pra fazer inscrições e entrevistas pro processo seletivo do IFSertão, em distritos de Petrolina e cidades circunvizinhas. Enfrentamos quilômetros de estrada de barro, no meio da caatinga, levantando muita poeira,num cenário de descobertas pra mim. A diversidade do bioma é impressionante! Tive ainda o prazer de ver uma revoada de jandaias, casinhas de taipa, perdidas no meio do nada, bodes, vacas e outros bichos, na tranquilidade de seu habitat. Natureza a perder de vista!
Nessas andanças, conheci a Barragem de Sobradinho e, a despeito da interferência humana, é um assombro de beleza. Conheci também um pequeno povoado, chamado pitorescamente de "Atalho", resumido a uma rua com uma dúzia de casas de cada lado, uma escola, uma bodega, uma borracharia e muita gentileza. Uma das moradoras, sabendo da nossa chegada, ofereceu um almoço dos melhores que eu já comi: feijão de arranca, arroz, saladinha, macarrão e uma galinha caipira (de babar de tão boa que era). Só de lembrar da comida, dá vontade de voltar lá... Além disso, aquela casinha, cuja porta abriu-se com tamanha boa-vontade e aquele tratamento caloroso, a gente raramente encontra...
Queimadinha de radioatividade!

Eu já bebi muito ao som de Ângela, gostava (e gosto) das músicas de "fossa". Letras que falam de dor, de frustração amorosa, de desencanto mas que não são um convite pra se matar (por isso não gosto das músicas de Núbia Lafayette), mas pra levantar a cabeça, depois de roer o cotovelo. São músicas de superação: "tô fodida, bebendo, mas eu me recupero, viu?" (da dor e da ressaca). Hoje bebo quase nada porque minha tolerância à bebida despencou. Outro dia, pedi uma caipifruta e, no segundo gole, minha cabeça tava rodando. Cerveja? Se eu passo de três latinhas, tenho uma dor de cabeça da "disgrama" no outro dia... Pois é, bebedeiras são passado. Só nos resta um brinde... com água: "- Viva Ângela Ro Rô!".
sábado, maio 15, 2010
O chamado

sexta-feira, abril 02, 2010
A LENTE DO HUMOR

Certos episódios são, inescapavelmente, um mote para um post. Há alguns dias, estava eu no centro da cidade do Recife, precisamente passando em frente à Igreja do Carmo, quando vi uma cena muito inusitada: um mendigo, desses que tem uma segunda pele de suor e poeira, cabelos compridos e despenteados, pés descalços, matulão nas costas e... uma câmera fotográfica nas mãos. O mais interessante é que ele imitava um profissional: abaixava, mirava o melhor ângulo, clicava e buscava um novo quadrante. Fiquei olhando, curiosa. Ele percebeu e começou a me fotografar... Um sorriso cúmplice, ainda que de longe. Não posso afirmar se a máquina funcionava ou não. Fiquei pensando sobre isso. Gostaria de poder sentar e conversar com uma criatura tão jocosa e que representou para mim uma espécie de crítica social, flagrada ali, aos olhos de quem passava, denunciando as contradições que o capitalismo e a modernidade criam a cada dia. Se ele é lúcido, estava se divertindo com a sua própria condição de mendicante, de flagelado, de marginal... Se ele é doido, devia estar se sentindo como um grande artista, um trabalhador que logo mais iria estar no laboratório, revelando a produção de um dia. Mesmo se a câmera funcionar, estas fotos não existem, não serão reveladas, não serão vistas, não serão mostradas... São tão invisíveis como, várias vezes, aquele homem pareceu aos transeuntes... Realidade cruelmente irônica...