
Uma viagem despretensiosa pela minha intimidade. Registros esporádicos de quando a vontade de escrever me arrebata. Espaço para compartilhar o meu olhar com os que visitam este lugar.
quarta-feira, setembro 30, 2009
Auroras

sexta-feira, setembro 25, 2009
Abandono

Abandonar a carne, tradução do termo latino que deu origem à palavra "carnaval". Depois o significado seria invertido: abandonar-se à carne. Ou comer vorazmente a carne? Mergulhar na carne? Afundar-se na carne? Estar faminto como o carnaval que a todos devora? Devoramos carne, dia após dia: a carne exposta na violência, na sexualidade desenfreada (esvaziada, reduzida, simplificada, empobrecida, dessignificada)...
Abandonamos nós mesmos, abandonamos o outro. Colha o abandono: adote uma flor, um arco-íris, uma criança...
sábado, maio 31, 2008
EQM

sábado, abril 05, 2008
Decifra-me...

DIANTE DE TANTOS RASCUNHOS NÃO POSTADOS, RESOLVI MODIFICÁ-LOS E PUBLICÁ-LOS (APROVEITANDO MOMENTOS PASSADOS DE INSPIRAÇÃO):
Ela, angustiada, olhava o mar. A imensidão azul terminava, invariavelmente, no enigma do horizonte. Pensou sobre seu futuro. Sobre incertezas. Tudo o que sabia naquele momento era que, por mais que tentasse (e tentou!), não lembrava do rosto dele. A fisionomia daquele com quem tinha partilhado tanta intimidade fugiu-lhe. Até quando? Talvez nunca lembrasse. Seria melhor assim? Não tinha esquecido nada do que aconteceu. Mas tudo vinha à mente sem esse rosto. Desfez-se de todas as fotografias dele. Sua memória acompanhou seu ato. Bloqueou todas as recordações daquele rosto para o qual tantas e tantas vezes olhou...
Encontrara Heitor, pela primeira vez, cinco anos antes. Circulava pelos corredores de uma exposição fotográfica com uma amiga da faculdade. Resolveu ir ao banheiro. Quando fechou a porta do reservado, percebeu um barulho estranho. Tentou sair. Em vão. A fechadura tinha quebrado. Foi tomada pelo desespero. Suou frio ao perceber que não tinha como sair dali: as paredes laterais iam quase até o teto e a porta de vidro não suportaria seu peso.
- Malditos arquitetos! - praguejou.
Lembrou que tinha deixado a bolsa com Suzana e não poderia usar o celular. Desesperou-se ainda mais porque o espaço cultural iria fechar dali a pouco tempo. Respirou fundo e gritou. Com todas as suas forças. Nada! Continuou gritando, por um tempo que pareceu eterno. Ouviu uma voz, bem longe, perguntar: - Posso entrar? Ela respondeu sim, pedindo ajuda. Um homem viera para ajudá-la. Ela nem pensou no inconveniente desta situação. Apenas queria sair urgentemente dali...
domingo, março 09, 2008
Insônia
sábado, março 01, 2008
Cheiro de orvalho...
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Sobre praias e ogros...
domingo, fevereiro 17, 2008
Água
Vislumbrei deleites.
Apaguei todos os pontos de fuga.
Desenhei no horizonte.
Percorri seus signos,
à procura de pistas,
do que restara de mim.
A brasa consumiu-se.
O inverno irrompeu,
apagando os caminhos.
Um bloco a mais...
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Segura o caboclo!
domingo, fevereiro 03, 2008
Um novo nem tão novo assim...
"a água se ensina pela sede;
A terra, por oceanos navegados;
o êxtase, pela aflição;
A paz, pelos combates narrados;
O amor, pela cinza da memória
E, pela neve, os pássaros".
(Emily Dickinson)
A vida segue, deixando seus rastros de beleza e dor, transformando tudo em volta. A "cara" do blog, assim como o nome, mudou. Achei que não faria sentido montar um novo blog mas modificá-lo, assim como o tempo fez comigo, desde que inaugurei este cenário.
sábado, novembro 03, 2007
Pela paz...

terça-feira, novembro 28, 2006
A morte do coiote
terça-feira, novembro 21, 2006
Cerveja sem álcool
sexta-feira, outubro 13, 2006
Quero meu bebê!
sábado, outubro 07, 2006
Entre números e lembranças
quarta-feira, outubro 04, 2006
15 centímetros ou mais
sexta-feira, setembro 22, 2006
A falência do panfleto
Esse preâmbulo sobre música justifica-se devido aos inconvenientes do período eleitoral em que, invariavelmente, a profusão de decibéis se eleva numa proporção inversamente proporcional à qualidade sonora. Dia após dia, somos surpreendidos, nos mais diversos horários, por famigerados carros de som com jingles capazes de arrepiar qualquer gosto minimamente seletivo.
Aturar a intervenção do poder público em nossas vidas é uma coisa, afinal, abdicamos de uma parcela da liberdade individual em nome da sobrevivência (não só física mas moral, como reza o "contrato" social). Não pretendo fazer mal uso da minha liberdade nem sou anarquista mas, convenhamos que sempre é preciso reclamar para que outrem não vilipendie nossos direitos. Cadê o bom senso?
sábado, setembro 02, 2006
Nas curvas do tempo
sexta-feira, setembro 01, 2006
Amor de muito

Bons tempos aqueles, em que uma cervejada parecia o mais grandioso deleite, seguido de todas as possibilidades lúdicas que uma farra quase sempre proporcionava. Mesmo com todas as obrigações acadêmicas, a boêmia imperava: entre cachaçadas e ressacas, tudo era possível de cumprir. Durante o semestre mais estressante da faculdade, eu bebia quase todos os dias no bom e velho Bigodão e mesmo assim dava conta das exigências de todas as disciplinas. Hoje, se eu bebesse um terço, seria candidata provável a entrar em coma alcóolica. Mas o Bigode, cenário de inocentes pequenas loucuras, segue como uma saudosa lembrança, já que hoje ele continua existindo, porém, irreconhecível. Se meu paladar não encara mais cerveja quente, minha consciência e minha idade também não permitem os desvarios do passado. Mas sinto falta daquela época em que me deslumbrava com os poemas marginais de Miró, recitados em inesperados e surpreendentes gritos, das calouradas da UFPE, da sensação de um coração cheio de amor e esperança. O amor ainda preenche meu coração mas é um outro amor. E o homem? Acho que voltou pro mar... Pra terminar, escolho Neruda: "... tão breve o amor, tão longo o esquecimento."